menina no avesso

, catadora de estrelas em céus inventados

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2007

09.04.07

dos olhos que vi foram nos teus.

ela só quer as palavras mais bonitas para enfeitar seu dia e seu coração. porque hoje ela acordou cinza. confusão e saudade.

levanta, porque o dia começa pra ela.

distribui seus sorrisos de doce e canções amareladas. se faz notar, para que desapercebido permaneça seu jeito de olhar cansado. consegue. sempre. porque ninguém a vê de verdade. mulher invisível-menina de mentira.

no trabalho, o passado a visita. em outro rosto: romance antigo. re-contado. não se reconhece; será ela mesma em todos aqueles momentos? uma declaração de amor, ela ouve. um amor que como o seu, perdura os anos todos.

 palavras bonitas ele diz, não era o que ela queria?

deveria ela sorrir, sem poder retribuir?

não sabe o que fazer com os olhos e mãos. tem vontade de apagá-lo dali. de não ouvir mais nada. de gritar com ele, mas não faz nada. finge uma certa concentração no trabalho. rabisca um papel.

se vê, pelos olhos e sentimentos do outro, aquele que ele não é. emudece por dentro, porque ela o sabe bem, em todas as esperanças contidas, nas promessa prometidas. em todos os sinais que jurou ter visto. porque ela o é também. idêntica, no avesso da sua própria história de amor.

no segundo seguinte, os papéis invertem. é ela agora, que se declara na imagem da memória, um outro passado. o seu passado, que ela quer de volta. de presente.

e então, ela o vê finalmente. o seu ele. com os olhos dele que são os dela, pela 1ª vez.

entende então. resigna-se então. doídamente, aceita então. a verdade livre de artifícios. a ausência de afeto dele. não precisa mais de justificativas. não se vitimiza; no amor não existe culpados.

nada a a fazer, a não ser arrancar do peito o coração.

olha para o outro, ali na sua frente. ela queria sentir-lhe a alma. estender-lhe os braços e entregar-lhe o coração, ainda batendo. numa caixa bem bonita. dizer-lhe; é inteiro teu!

mas ela sabe o impossível da causa. o outro o sabe também, no silêncio que se estende a eternidade.

ela o deixa ir, sem remorsos. não olha para trás.

coração na mão, volta ao seu lugar no meio do peito. batendo desacelerado.

 

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 12:16:44

02.04.07

no meio do nada da tarde de abril

ela anda distraída, quase perdida nos acontecimentos todos. ela caminha, por dentro revê lugares, respira eles. olhos  fechados: sonha acordada.

tem pensamentos tortos, não deveria?

queria ela, era ser escritora ou quem sabe cantora para saber en-cantar!

ela só quer ser feliz além da página 20!

passa batom, capricha no blush, insiste nas sandálias baixas e saias quase compridas, percorre suas ruas, tão suas avenidas... carregando livros nos braços e música nos ouvidos.

olha o céu do meio da tarde, o sol lhe fecha os olhos involuntariamente, o suor lhe escorre a face, as nuvens lhe sorriem os lábios, o ar quente lhe balança os cabelos, mesmo presos...

será ela um filme? a câmera focando a dança de seus pés e as folhas mortas no chão de outono, enquanto ela espera o verde do sinal se abrir.

põe-se a caminhar, agora com pressa. ela só  quer tocar-lhe os cabelos, estende a mão desajeitadamente, mas os caracóis se perdem ao ganhar a próxima esquina...

falta-lhe tu.

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 12:18:10