menina no avesso

, catadora de estrelas em céus inventados

menina no avesso

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2007

17.08.07

das esperas

.

pq ela ainda fecha os olhos e acredita!

acredita e pronto!

e ponto.

e vírgula,

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 13:39:49

09.08.07

do amor dela em 3 tempos

ele tinha nome de santo; Gian Battista, ela... não importa. eles se encontraram num 10 de agosto, esquecido no tempo. era sábado. era noite. era frio. ela que não queria sair. 1º eles se olharam. um olhar que ficou gravado, para o sempre que viria depois. olhos-escuros-de noite. ela se apaixonou ali mesmo. enquanto pagava sua coca-cola e pegava seu troco. ele atravessava a rua. ela usava vermelho e uma lente verde nos olhos. ele fumava. trocaram as primeiras palavras sem jeito. na esquina do destino, conheceram a voz um do outro. os olhos não se desgrudaram. hipnotizados. ouviram Marisa Monte insinuar cantando; "beija eu, me beija". eles não se beijaram. trocaram telefones. e ele ligou! encontraram-se tantas vezes depois. tantas noites e tantos dias. e antes do 1º beijo, sabiam-se apaixonados. e quando ele a beijou, ela sabia que era amor e que este ficaria. então, ela fechou os olhos e beijou. e deixou o amor entrar. percorrer seu corpo em cada célula. e quando os abriu, ela era outra; ela era dele! ele sorria. o coração dela também. deram as mãos; destino selado. e ele a levou para casa, debaixo de lua. e ela dormiu. leve e feliz. ele falava outra língua e tinha data pra voltar. ela não pensava nisto. não queria lembrar. eles eram diferentes. e se descobriam. às vezes iguais. e se riam. e se divertiam. e se gostavam. e conversavam, como conversavam! horas inteiras embaixo de árvores. em calçadas vázias. eles se viam quase todos os dias. depois; todos os dias! numa urgência de momentos. e não havia planos. não faziam. fizeram tantas coisas juntos. foram tantas as canções. tantos os abraços. os apelidos que se deram e as formas de carinhar-se. que ele adivinhou o amor dela. e grave, não aguentou. revelou o seu segredo; ele não a amava. o céu chorou, mas ela não chorou. só depois. quietinha. sozinha. no seu quarto escuro. para que nem ela mesma enxergasse suas lágrimas. não blasfemou. não odiou. não quebrou nada. só lamentou o acontecido. e choveu por dentro. chorou todos os seus temporais. ele foi embora. eles nunca mais se viram. ela ficou com as lembranças e o gosto dele na boca, de presente. e as cartas que chegaram nos anos seguintes. um dia, as cartas silenciaram. e ela nunca mais soube dele.

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 16:36:21

do segundo

você deveria saber. que neste dia. à esta hora. ela conheceu o resto de sua própria história. e era noite. e era sábado. ela não mais vestia vermelho. nem vestígio de verde em seus olhos de jabuticabas. ele dormia. ela sonhava acordada. ela no escuro de uma sala de projeção. Unibanco Arteplex, na Frei Caneca. e uma platéia de estranhos a lhe testemunhar o íntimo. o filme. ele nem podia imaginar o universo que conspirava. ela acreditava nos sinais que a perseguiam desde sempre. e aquele, era o chamado que ela esperava; nove anos. o celular havia tocado na véspera de sua partida. 1h30 da madrugada. parecia que ele a adivinhava. mas ela, ainda não o sabia. e esperava. leu o cartaz: " e se você tivesse uma 2ª chance de encontrar o amor da sua vida?" sentiu um arrepio. sentou-se. e o pensamento dela era ele. e ela tinha o coração na boca. e mãos trêmulas. e borboletas no estômago. e lágrimas nos olhos, enxugou o sentimento na manga da blusa. e ela estava tão bem vestida de emoção. e ainda tão apaixonada. e ele dormia. cerrou os olhos. e olhou para trás. para dentro. e sorriu no escuro. recordou o sorriso bonito dele. os olhos estrelas. e desejou tão forte, que ela o sentiu. ali. ao seu lado. a mão dele tocando a dela suavemente. fortemente. na sessão de cinema que ainda não havia existido. e quando os abriu era ela na tela. gigante no pensamento. era ela que se revelava. e que depois o abraçava e se "dissolvia em moléculas". sentiu-se forte. e decidida lhe falou. revelou o sentimento guardado. e ela viu os sinais deixarem de ser intuição. para se tornarem finalmente realidade. palpável. uma ligação que mudou tudo. dezenas de e-mails. sua voz do outro lado; magia tecnológica. canções. fotos. sorrisos impressos. poesias. respostas instantâneas. palavras; letrinhas e linhas intermináveis. um jogo? ela que não sabia mais jogar. corações desvendando-se. descompassando-se. seu corpo dizia saudade. seus olhos gritavam esperança. seu coração sussurrando um mesmo nome sempre; o dele. e ele veio. de cinza. como é o país onde ele mora e a tarde daquele início de março. ela de preto. cabelos soltos. esmalte clarinho nas unhas. e um rabo de baleia pendurado no pescoço. seu amuleto. perfume de maracujá. sorriso nos lábios. era dia agora. 4ª feira. e garoava. outro cenário. ela percorrera uma vida para chegar até ali. ele atravessara o oceano. ela estava feliz. sentia-se feliz. mas, tinha uma brisa fria a lhe arrepiar a espinha. da janela do apartamento da amiga, olhou o céu. lá de cima. um pedaço de azul. 14h. antes de sair ela fez uma oração. e agradeceu. se olhou no espelho. respirou fundo, fechou a porta. e foi. uma avenida os separava. quando os olhos deles se encontraram pela 2ª primeira vez. a maior; a Paulista. ele no vão do Masp. ela na esquina do Trianon. sinal vermelho. pede para esperar. suas pernas obedecem. mas o coração dela quer correr. quer ver de perto. quer tocar. ela espera. os carros passam. uma eternidade de segundos se arrastam. ele acena do outro lado. ela retribui. verde, enfim. ela prossegue. ele a espera tranquilo. ela caminha. segue as listras brancas no asfalto negro. o vento brincando com os cabelos dela. ela não se importa, só quer continuar. no pensamento dela, todas as palavras e palavra nenhuma. no dele, ela não sabia. a travessia termina. ele se antecipa. e a toca a face com um beijo desajeitado. ela sorri ansiosa. eles se olham. olhos curiosos que devoram a ausência. mastigam a distância. ela o encara. se rende ao encantamento do momento. explora o rosto dele, ainda de menino. e descobre fios ruivos na barba dele. uns kilos a mais. e alguns poucos sinais do tempo na sua testa. ela se diverte com as descobertas. se encanta com elas. e ele, o que teria ele descoberto? ele sorri. e o sorriso dele sempre a enfeitçou. o coração dela acelera. ele fala. ela responde instintivamente. quase não o ouve. ela precisa olhar-lhe. reconhecer-lhe a alma. caminham sem pressa. sentam-se. ainda embaixo de árvores. ela o observa. ele carregava uma bolsa transversal, como a dela. e usava um tênis velho. ela de sandálias. ligeiramente mais alta. e eles conversam. por horas. e brincam. e riem. contam as suas vidas. se re-conhecem. ela fala visivelmente menos. observa mais. absorve tudo. e parece que nunca houve distância. tamanha a naturalidade entre os dois. eram os mesmos. às vezes os olhos deles se encontravam e se mantinham presos. ali. parados. segundos inteiros. dois mundos suspensos. e havia então, uma conversa silenciosa. de segredos. falaram de amor. e ela estremeceu por dentro. e ela tocou a face dele. e teve seu rosto impresso na palma da mão. e ele fechou os olhos e depois a tocou também. o rosto, os cabelos. e respirou o cheiro de passado que havia nela. e ela viu o rosto dele se aproximar lentamente. e ela, o quis para sempre. fechou os olhos e adivinhou. borboletas a visitaram. e sentiu seus pés deixarem o chão. o corpo dormente. a respiração que era outra. quase em transe. o suco de abacaxi esquecido no canto da mesa que os separava. o desejo ali aparente. todos os sentidos em alerta. mais nada. e houve o beijo. como tinha de ser. e quando ela abriu os olhos, viu de perto o profundo do castanho-escuro dele a lhe tocar a alma mais uma vez. e ela sentiu o amor abraçar-lhe. sim, ela o amava. assim, de olhos fechados. e não conseguia dar-lhe uma razão, isto a afastaria de quem realmente era. deram as mãos e foram ao cinema. e ele dançou com ela. uma valsa improvisada na avenida apressada. e ele derramou lágrimas inexplicáveis na sala escura. e depois a levou para a despedida. e havia um nó na garganta dela. e ela não queria chorar. não queria parecer dramática demais. ele não teve coragem de falar-lhe. contar-lhe a verdade. mas, ela sabia ler entrelinhas no olhar. ele não falou. mas, ela adivinhou. atravessaram a rua. palavras soltas. frases confusas. silêncios mudos. e uma imagem feliz do passado a brincar na mente dela. ironicamente. sadicamente. e então, ela chorou. ali mesmo. no meio da rua. sentada na calçada. travessa da Paulista com a Bela Cintra. o sentimento escorrendo pela face. calado. e ela não conseguia dizer-lhe a palavrinha. ainda silêncio. os olhos vermelhos. respirou coragem. olhou-lhe ainda uma vez mais. a última. e carregou-lhe para dentro dela. virou-lhe as costas. e caminhou devagar. olhou para trás. e o viu sumindo entre as pessoas. anonimamente. coração parado. olhos molhados. o cheiro dele preso nela. voltou-se para si mesma. e sussurou-lhe doído; adeus.

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 16:33:46

do terceiro

 

do que veio depois, só o coração dela sabe...

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 16:32:53

02.08.07

dos encantos e possibildades

ela está a caminho, na sua busca particular. destemida. cruzando suas passarelas internas. distraída com os encantos todos. que só por hoje resolveram lhe esmagar  a alma num abraço conjunto. violento. tamanha a intensidade.

preciosidade.

e são tantos e tão simples e tão cotidianos e imperceptíveis; o Rosa (seu querido). que da secura do sertão lhe escreve aos olhos com tanta delicadeza. a Clarice (sua paixão) intérprete dos seus pensamentos mais viscerais. que lhe abriu as portas de casa. e numa visita  improvisada lhe mostrou o seu mundo de palavras. o olhar no fundo. o nó na garganta. a pressão que brincou de cair. e um convite para uma conversa no sofá.

os dias frios que ela sempre adotou como seus. que retornam as suas esquinas lhe enchendo de prazeres amelianos. do cachecol beijando o  seu pescoço ao sol lhe lambendo a pele, nos caminhos que faz de volta para casa. a volta para casa e o calor que estabelece lá, quando  se reconhece num mundo  de formas, cores e sons particulares.

o aroma novo. que se impregnou em sua memória corpórea, que lhe desperta novas sensações e que a faz sorrir sozinha e desejar que todos os dias se traduzam em rodoviária.

Feist, a cantora canadense (um presente). que  atende sempre aos seus pedidos incansáveis de bis. e lhe canta baixinho aos ouvidos a canção favorita - the onliest - no repeat, sem parar. compulsiva. obsessiva. adocicada.

e assim está ela; sem parar de se envolver com o que lhe rodeia ou vai mais além. por dentro. pra dentro. lhe enchendo de expectativas e  novas paixões-poéticas. a nova possibilidade que lhe bateu a porta. que lhe enche de ar novo os pulmões. estar onde gostaria de estar, lhe traz de volta as mesmas velhas conhecidas borboletas.

ela faz cruz com os dedos. e espera uma resposta antes mesmo do pedido ser feito. ela acredita. fecha os olhos em oração. respira fundo e movimenta-se em segredo. ajuda o universo a conspirar a seu favor. porque ela acredita nos não-acasos. e agradece a oportunidade. a energia dispensada. os amigos que nunca lhe faltam. a fé enraizada. ainda de olhos fechados estende a mão ao invisível, à sorte que lhe é lançada.

  • criado por  Sammy criado por Sammy
  • Postado em 16:07:40